Lenda do João-de-barro, tradição folclórica do Sul do Brasil

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A lenda do João-de-barro (Furnarius rufus) é uma história bastante tradicional no folclore do Sul do Brasil, que conta a origem desse belo e habilidoso pássaro. Esse animal, que pode chegar a medir cerca de 20 cm, é bastante conhecido por sua alta capacidade de construir ninhos, os

quais são feitos de barro e gravetos. De coloração amarronzada, alimenta-se de pequenos invertebrados, como insetos e aranhas, mas também de sementes; possui canto forte, que pode ser ouvido nas horas em que há maior incidência de luz solar.

Lenda do João-de-barro

João-de-barro construindo seu ninho (foto: Evandro Marques – www.coisasdaroca.com)

Reza a lenda que, no Sul do Brasil, havia uma tribo indígena na qual existia uma moça muito bonita, cujo pai era muito exigente em relação a seus pretendentes. Jaebé, um dos rapazes da tribo, apaixonado pela beleza da moça, resolveu pedi-la em casamento a seu pai. Ao fazer o pedido, o pai da índia perguntou ao rapaz quais seriam as provas que ele lhe daria, de que era um rapaz forte o suficiente para casar com sua bela filha.

O rapaz então respondeu que lhe provaria com as forças de seu amor, e o pai ficou extremamente aborrecido com a audácia do jovem. Respondeu então que o último pretendente de sua filha prometeu ficar 5 dias em jejum e morreu no quarto dia. Audacioso como era, Jaebé então prometeu ao pai da moça que ficaria 9 dias em jejum, sem morrer.

Assim, o senhor ordenou aos outros integrantes da tribo, que o enrolassem no couro de anta, e que vigiassem dia e noite para que o rapaz cumprisse sua promessa. Enquanto isso, a moça, apaixonada, pedia ao deus Lua que tivesse piedade de seu possível noivo; e pediu ao seu pai que não o deixasse morrer.

Ninho João-de-barro (foto: Evandro Marques – www.coisasdaroca.com)

Passados os nove dias, o pai da moça foi ver como Jaebé estava. Ao ser desenrolado do couro da anta, o rapaz pulou com um sorriso brilhante, com sua pele limpa e cheirando a amêndoas. Ao ver sua amada, se pôs a cantar como um pássaro, e, assim foi transformado em um belo joão-de-barro. Assim que os raios do luar tocaram a pele da moça, esta também se transformou em um pássaro, e, juntos, partiram para viver sua vida na floresta.

Desse modo, como prova de sua coragem, habilidade e astúcia, o joão-de-barro foi cunhado como um dos maiores construtores das matas brasileiras; e casal de indígenas pôde então, viver em paz na bela floresta.

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